Diziam-me ainda agora: “És estranha, respondes de forma estranha, com respostas de enigma que são só tuas. És estranha. Há um mundo só teu!” Ás vezes choro, outras sorrio. Porque acredito que há estrelas que só se vê(e)m de dia e de olhos cerrados. No mais fundo de nós próprios. Onde o enigma se chama dom e é agradecido como bênção. E nada, rigorosamente nada, é estranho, nem apenas meu.
Quem veio bater à minha porta? Quem?
Quem me fez abrir a janela e a noite morta?
O caminho estava deserto e o seu silêncio tinha horas.
Vento? Esta noite tem a paz e o sossego da morte.
Só eu e as estrelas sentíamos a solidão fantástica…
Nos ouvidos e na ansiedade guardei o rumor que me chamou,
as minhas mãos tiveram a carícia doutras mãos perdidas,
e uma companhia invisível acendeu uma luz na minha alma…
Alguém terá pensado em mim, longe?
Alberto de Serpa